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A Umbanda é uma religião
brasileira, nasceu em 15 de novembro de 1908, no distrito de
Neves, em Niterói, estado do Rio de Janeiro, quando o médium Zélio
Fernandino de Moraes incorporou o caboclo das Sete Encruzilhadas,
fundador desta maravilhosa religião. Pai Zélio, então com 17 anos
de idade, sofria de paralisia e os médicos o desenganaram, por
este motivo ele foi levado através de familiares à Federação
Espírita do Estado do Rio de Janeiro, lá revelou-se sua
mediunidade. Seu Guia, o caboclo das Sete Encruzilhadas não foi
aceito nas reuniões, pois naquela época os espíritas kardecistas
pensavam que as manifestações de espíritos de negros (escravos) e
índios, tratavam-se de manifestações de entidades 'inferiores',
com pequeno grau de evolução, tese refutada totalmente nos dias de
hoje. O fato contribuiu de forma extraordinária para o surgimento
da nossa querida Umbanda, que está presente nos 4 cantos do
planeta e aqui no Brasil conta hoje com mais de 40.000 terreiros
em funcionamento.
Os três fundamentos básicos da religião são: fraternidade,
caridade e respeito ao próximo. Na Umbanda não existe cobrança de
dízimo, esmola, doação ou paga por qualquer que seja o ritual ou
trabalho realizado. Os terreiros, searas ou tendas, sobrevivem com
donativos dos próprios membros da corrente e dirigentes, que de
forma alguma obtém lucros ou vantagens sobre trabalhos
espirituais. Quem não pratica a Umbanda como forma de caridade não
está nela realmente inserido. Espiritualmente a caridade é regra
inviolável para que as entidades, guias e Orixás estejam presentes
as sessões, incorporados em seus aparelhos ou mesmo apenas no
astral, vibrando energias sobre a assistência e corrente. Também
não cremos no pecado, acreditamos sim na Lei do Retorno, faça o
que deseja que façam a você. Pratique o bem e colherá bons frutos,
se fizer o mal sofrerá, da mesma forma, as consequências.
Devido ao sincretismo religioso, ainda muitas vezes, a Umbanda é
comparada ao Candomblé, porém tratm-se de religiões totalmente
distintas. Na Umbanda não existe sacrifício de animais e os Orixás
são apenas 7. No Candomblé podem-se ser identificados centenas de
Orixás, que não incorporam e dão consultas como na Umbanda,
curimbam transmitindo seu Axé enquanto as consultas são feitas
através de oráculos consultados pelos dirigentes dos trabalhos. A
identificação dos principais Orixás deve-se ao fato de ser o
Candomblé a religião mais antiga, de que se tem conhecimento,
praticada desde os primórdios da humanidade, até hoje aqui neste
planeta. Os nomes são os mesmos simplesmente pelo fato de que são
realmente estes os verdadeiros nomes dos Orixás criadores da
Terra. Zambi, Deus, deidade suprema, inatingível aos mortais, tem
este nome pelo fato de que é o primeiro nome pelo qual o ser
humano se dirigiu a Ele. Entidades mais antigas nesta esfera
confirmam a história, acrescentando que o homem deu este nome a
Deus quando vislumbrou corpos celestes (meteoritos) que caiam na
noite e por vezes zuniam, este zunido fazia-se ouvir como ZAMBI,
no então silencioso planeta Terra. Maravilhado com o som e o
espetáculo, o homem pré-histórico adotou o som que ouviu para
designar o Ser Supremo e a palavra ecoou através dos milênios até
os dias de hoje.
Os Orixás são as vibratórias cósmicas originais, responsáveis pela
formação deste maravilhoso mundo mágico no qual vivemos, Zambi
enviou através deles os 7 elementos necessários para a formação da
Terra e das espécies, tornando possível a vida, como a conhecemos,
diretamente ligada a Seu Reino, o Astral Superior. Por este
motivo, a missão ficou a cargo de Oxalá, Orixá da Luz Divina, que
distribuiu aos outros 6 Orixás os elementos da criação. Os
espíritos, incriados e indestrutíveis, puderam então encontrar e
se reencontrar nesta esfera, nosso planeta natal, encarnando e
reencarnado juntos para desta forma evoluírem, chegando assim, a
cada salto evolucional, mais próximos Do que hoje ainda lhes É
Inatingível.
Os espíritos com maior grau de evolução, os Guias, ou entidades de
Umbanda, como são mais popularmente conhecidos, respondem
cada qual a uma vibratória cósmica original, Orixá. São estes epíritos que trabalham na Lei de Umbanda fazendo a caridade e
ajudando o homem em sua árdua tarefa evolutiva. Os guias,
geralmente, são almas que já reencarnaram muitas vezes, acumulando
assim um conhecimento ímpar, pois apesar de se apresentarem com
imagem humilde são cientes e detentores de todo conhecimento
acumulado durante estas passagens. A regra é que para trabalhar na
Umbanda o espírito tenha vivido ao menos uma encarnação como preto
(escravo) ou índio (caboclo), que são as entidades mais presentes
nas consultas. Também temos outras lihas subordinadas as
vibratórias cósmicas originais, nestas vemos diversas almas
trabalhando na forma de arquétipos, como os que um dia já foram, e
ainda trabalham, sendo: marinheiros, soldados romanos, apaches ou
pele-vermelhas, ciganos, monges, padres, cangaceiros e boiadeiros,
baianos e crianças. Estes arquétipos são roupagens utilizadas
pelos guias para se apresentarem nos terreiros.
Estas entidades se manifestam através da mediunidade dos
aparelhos, médiuns iniciados, comumente chamados pelas entidades
de cavalos quando em desenvolvimento. A incorporação é a matriz
dos trabalhos - ato pelo qual uma pessoa médium, inconsciente,
consciente ou semi-consciente, permite que as entidades falem e
canalizem energias cósmicas através de seu corpo físico e mental.
Outra vertente da vibração cósmica é a presença nos trabalhos de
elementais como: silfos, sereias e ondinas, yaras, silfos,
duendes, gnomos e fadas..., sendo que estes seres são sempre
ordenados e comandados pelos guias presentes aos trabalhos. Os
guias têm sapiência e consciência da natureza humana e os
atributos para que essa humanidade possa evoluir e seguir por um
caminho melhor.
Existem em nosso país formas um pouco diferentes de os terreiros
ou conglomerado de terreiros interpretarem e manifestarem a
Religião de Umbanda. Os ritos diferem um pouco de casa para casa,
porém quem já teve a oportunidade de conhecer estes diversos
trabalhos pelo Brasil pode notar que existe na maioria uma começo,
meio e fim de Gira (ritual) praticamente igual, bem parecido com o
iniciado por Zélio de Moraes e pelo caboclo das Sete
Encruzilhadas. Alguns utilizam atabaques, já outros, não utilizam
instrumentos musicais, preferindo somente o ritmo das palmas e o
cântico dos pontos cantados, porém na essência o trabalho
realizado no Plano Espiritual é o mesmo. A verdade é que as casas
que alteram a prática, com atos como a abolição/proibição do fumo
e bebidas pelas entidades ou até mesmo cobrando por consultas,
estão na contra-mão do movimento umbandista.
De maneira geral, toda gira de Umbanda inicia-se como o processo
de defumação - elemento característico de quase todas as giras -
que consiste na queima de ervas e essências, com a finalidade de
limpeza da matéria e do espírito, e do ambiente do terreiro antes
do início da sessão e do trabalho das entidades que ali estarão.
Normalmente as giras se iniciam com os pontos cantados, defumação
e a incorporação. As giras podem ser de atendimento e/ou de
desenvolvimento, específicas para cada grupamento de entidades, ou
seja, gira de pretos-velhos, de caboclos, de crianças, etc. Nas
giras de atendimento os médiuns incorporados procedem ao
atendimento espiritual público, em que todos são convidados a se
consultarem com um guia e/ou a tomarem um passe, no qual recebem o
Axé, a energia cósmica de que precisam para mitigação ou cura de
males da existência terrena, bem como o necessário para o
imprescindível adiantamento espiritual de que todos necessitam.
Nas giras desenvolvimento, os iniciados são desenvolvidos pelos
guias e pelo chefe dos trabalhos, Pai ou Mãe de Santo, Babalaô ou
Yalaô, para o trabalho espiritual. O desenvolvimento, que também
varia um pouco de casa para casa, consiste em chamar o guia do
médium e firmá-lo nesse aparelho até que ele, o guia, possa
incorporar sem a necessidade da ajuda de um guia mais experiente,
Yalaô ou Babalorixá. Durante o processo de desenvolvimento, os
médiuns passam por rituais, como: amacis, boris, deitadas, etc.
Bem como as indispensáveis obrigações para com seus Guias e
Orixás. Estando o médium preparado, pronto, poderá então prestar
atendimento público durante as Giras, dando consultas incorporado
com seus Guias. A melhor forma de conhecer melhor esta maravilhosa
religião, a única nascida originalmente em solo brasileiro, é indo
a uma Gira de Umbanda. Poder igual não há! |