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Saravá Seu Akuan ! |
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"- Caboclo, meu filho
perguntou-me quem manda no sr. Ogum Rompe-mato. Eu respondi que era o
Caboclo Akuan. Ele continuou e perguntou-me quem mandava no Caboclo
Akuan. Não soube responder e vim perguntar-lhe. Eu adoro o Caboclo Akuan. Com seu jeito rude e uma frase abriu um leque filosófico sobre a Umbanda. Tenho que começar revelando como entendo a organização espiritual umbandista. Muitos autores e também autoridades falantes, pregam a existência de sete linhas, sete planos, sete autoridades espirituais, sete mandantes, sete exus, sete pombas-gira, sete, sete, sete...sempre o sete. Acho o sete apenas um limitador, embora reconheça sua vibração. É muito fácil fazer uso deste limitador. Acenda sete velas, dê sete nós, entre no cemitério e dê sete passos. Tem pai-de-santo receitando visitar sete igrejas. Pode? E assim vai o número sete cada vez mais limitando nosso raciocínio. Sobre os sagrados sete Orixás, cinco deles são unânimes: Oxalá, Ogum, Iemanjá, Oxossi e Xangô. Faltam dois: uns cultuam, além deles, Yori (Oriente) e Yorimá (preto-velho). Outros, ao invés de Yori ou Yorimá, os Ibejis. Somando os cultos, já são oito. E onde ficam Oxum e Iansã? Na minha calculadora já são dez, sem esquecer que o sr.Zélio de Moraes, o codificador da Umbanda, ensinou os cinco já citados, mais o Oriente e Abaluaie. Já são onze. Que confusão! Fazendo uso do limitador sete, fico com as sete energias que não ocuparam corpo físico na terra: os cinco, mais Oxum e Iansã. Olhei um dia para o infinito e resolvi dividi-lo em sete pedaços. Cada um deles é a vibração de um Orixá. Dentro deste pedaço foi criada a energia que deu vida a cada um de nós - o Pai Cósmico, carregando as influências dessas energias. Por isso não aceito que ao reencarnar as pessoas possam mudar de orixá-de-cabeça. Se a minúscula energia que criou minha vida veio da energia de Ogum, vou ser Ogum sempre. Por entender ser o Orixá uma energia cósmica, não aceito a teoria de existirem filhos de crianças, orientais ou pretos-velhos, por terem ocupado um cascão físico. São maravilhosos, mas foram eguns. Também não saberia onde fazer minhas entregas. Em igrejas, praças? E antes, na sua origem, onde eram feitas? Para tornar polêmico o limitador sete, o Pai Maneco disse: se fossem só sete vibrações, Jesus Cristo teria dito: "na casa de meu Pai, tem sete moradas." Escrevo como penso. Seria até contraditório pensar de uma maneira e escrever de outra. Vou divagar. Às vezes divagar é bom. Abre nossa cabeça. Aprendi que o mundo material é uma cópia imperfeita do mundo espiritual. Vou fazer de conta ser o mundo material a organização espiritual. E o meu mundo é o Brasil, considerando ser a Umbanda autenticamente brasileira. Temos um Presidente da República, governadores e prefeitos. Três poderes: o executivo, legislativo e judiciário. Estamos no faz-de-conta: todos são honestos e cumpridores de seus deveres, como se fossem espíritos de luz. O presidente manda no país, o governador no estado e o prefeito na cidade. As regras existem. As leis são criadas, os mandantes aprovam e o judiciário dirime as dúvidas. E o povo cumpre as determinações do sistema. Não dá para fugir disso. E este sistema só existe porque existem casas. Casas grandes, pequenas, bonitas, feias, de alvenaria, de madeira, de ricos e de pobres. Essas moradias é que justificam a existência desta grande organização. Sem elas não haveria sociedade. Nem presidente, nem governador e nem prefeito. E quem manda nas casas são seus donos. Na minha casa quem manda (ou deveria) sou eu. O Presidente da República pode criar leis, mas não tem o direito de entrar na minha casa sem bater na porta, nem o direito de mexer em meus móveis e muito menos de mandar em minha família. Dentro de minha casa sou mais poderoso que o Presidente. Por isso o Caboclo Akuan disse: "...o Rompe-mato na casa dele." É assim que penso do mundo espiritual: cada um cumprindo seu dever, mas sem limitador numérico. Para encerrar não posso deixar de cumprimentar os autores que sabem exatamente quantos espíritos existem no espaço... Alguém perguntou ao Caboclo Akuan se a Umbanda veio para dominar todas as outras religiões, ou seria apenas mais uma dentre tantas. Resposta: "Meu filho, o céu estrelado é deslumbrante, tão bonito que você fixa perplexo diante de tanta grandeza. Na verdade, este conjunto marca o início do infinito. Se você tirar as estrelas, o céu fica feio e sem marcas. As religiões são como o céu estrelado. Marcam o início do infinito." E ainda, austero, mas deixando escapar leve ironia: "Cabe a vocês fazerem a da Umbanda brilhar mais..." Há uns quarenta anos, tive uma grande decepção espiritual. No centro onde trabalhava um médium kardecista, deu uma falseada em sua conduta moral e ética. Pensei em abandonar o espiritismo. Mas os espíritos são bons. Recebi uma mensagem: entre tantas coisas, só Deus é verdade. Pela sua simplicidade, merecia uma profunda reflexão. Pensei mais de um ano para entendê-la. Não existe religião sem a intermediação do homem. Ou é o padre, o pastor, o monge, o médium ou o cavalo. Sempre existe um encarnado traduzindo a voz de Deus. Se o homem é imperfeito, com a mesma imperfeição nos chegam os ensinamentos divinos. Eu devia perdoar o médium. Não fazer dele e de ninguém o legítimo representante do Criador. Por outro lado, temos a necessidade de praticar uma religião, seja ela qual for. Só através delas podemos evoluir espiritualmente. Vejam a felicidade da mensagem do caboclo. As religiões são o início do infinito. É uma marca. Deus existe! Sem ele a vida ficaria escura e feia. Vamos ser religiosos e mais humildes. Devemos respeitar todas as religiões e seitas, desde que proponham o retorno ao Criador. |
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LENDA DO CABOCLO AKUAN |
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"Aconteceu uma briga
entre tribos. |
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"Aqueles que não sabem obedecer, além de atrapalharem os que obedecem, jamais vão saber mandar." |
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Seu Akuan |
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Comentário: |
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Ficou bem clara a figuração da mensagem. A briga entre tribos é a luta do bem contra o mal. Os guerreiros representavam os espíritos de luz e os preguiçosos os espíritos trevosos, não esclarecidos e desamparados, perturbadores. Os que vivem na escuridão ou agarrados à crosta terrena. O domínio dos espíritos atrasados ainda é maior. Mas a benção divina estava do lado dos guerreiros, pois seu chefe brilhava intensamente seu chacra coronário, representado pelo cocar brilhante. Iniciou-se a luta do bem contra o mal, devendo ser bem entendido que o grande desafio e objetivo do alto astral é o encaminhamento destas entidades à trilha do bem e da evolução espiritual. Vou dar um nome a este brioso cacique: Sete Encruzilhadas! Ele sabia ser sua missão lutar contra aquelas pobres entidades. Fez uma avaliação. Procurou alguém à sua altura. Não encontrou ninguém. A luta seria difícil. Resolveu baixar as armas e entregar-se aos coitados. Imaginado-se vitoriosos, foram reclamar o grandioso troféu: o brilhante cocar de luz! Era como querer alcançar o arco-íris. Não conseguiram pegar o cocar. Foi quando o Cacique demonstrou sua força, dando-lhes conselhos amorosos e indicando o caminho da espiritualidade e do perdão. Seu poder foi reconhecido e de vencedores passaram a seguidores, em busca do mesmo cocar, a coroa dos orixás. Humildemente reconheceu ser a razão a grande arma contra os fracos. Sua arma passou a ser o amor. Seu objetivo a ajuda aos necessitados. Passou a conquistar os fracos e criou uma grande tribo, heterogênea em cultura e sentimentos, mas todos sob a liderança deste grande chefe. Foi quando gritou: "por Deus, vou cumprir minha missão. Meu nome será conhecido como Cacique Umbanda, e serei a religião brasileira." |
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Considerações finais: |
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Quando comecei a trabalhar como médium na Umbanda, trazia comigo uma experiência de vinte cinco anos na linha espírita kardecista. Por este fato, meu pai-de-santo revelou certo constrangimento na lida comigo. Dei-lhe total liberdade, até mesmo ameaçando de retirar-me do terreiro se não merecesse tratamento igual aos meus irmãos de corrente. Não queria privilégios. Acho a proteção cabível aos fracos. O aprendizado foi árduo. O austero intérprete dos orixás usou e abusou de sua autoridade. Fazia de mim seu servo sem direito a reclamação. Eu apreciava este tratamento. Não era masoquismo. Ao contrário, era fé. Afinal eu acreditava nele. Sempre fui obediente. Era a consciência de quem sabia cumprir com seu dever. A cada ordem, esperava, pacientemente, o momento da compreensão. Ia, quando convocado, aos sábados ou domingos, embora intimamente contrariado, de vassoura na mão ajudar na limpeza do terreiro. Era um rodízio obrigatório. Num ritual de Amaci, foi estabelecido o horário das 14:00 hs., numa segunda-feira. Quando de branco cheguei no terreiro, recebi, honrosamente, um elogio do pai-de-santo. Ele sabia quanta coisa deixei para trás profissionalmente para participar da solenidade. Expliquei: quando fiz o meu Amaci, existiam médiuns dando este apoio. Nada mais justo eu retribuir a outros o que de outros recebi. Aprendi a obedecer. Fui guindado por este mesmo pai-de-santo a pai-pequeno. Não tive dúvidas. Peguei o adejá e passei a mandar. Em mim, somente hierarquia superior eu obedecia. E soube mandar, principalmente por ter sabido obedecer. Acho este o objetivo da mensagem. Como poderei mandar se nunca soube obedecer? Hoje, pai-de-santo, continuo mandando, sem faltar a ninguém com o respeito que todos merecem. Mas em mim, só os orixás mandam, aos quais sirvo com muita humildade. Ogunhê!" Fernando Guimarães - www.paimaneco.org.br |
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IN GOD WE TRUST - PAX - Site atualizado em 19/02/2009 |