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Agô Pai Oxalá; Saravá Pai Omolu. Com licença Seu Tranca Ruas das Almas. Laroiê Seu Exu Caveira N, suas Pombagiras e falanges. Peço licença para que através deste site, e do astral, possa aqui transmitir alguns aprendizados, da minha vivência na Quimbanda, aos meus irmãos e irmãs de fé. Saravá a Sagrada Lei de Quimbanda!

A Quimbanda não é simplesmente mais uma linha, dentre os cultos de matriz africana. Além das influências Bantu, Nagô e Yorubá. A Quimbanda traz incorporada, à sua ritualística,  uma forte influência ligada a vários aspectos das religiões nativas da América Latina, Católica, e Correntes Orientais derivadas. A Quimbanda pode ser identificada em elementos encontrados nos sistemas religiosos ancestrais, que passam pela alquimia e chegam até o espiritismo moderno. Penetra a natureza da realidade místicia, das ciências ocultas, espalhando sua raiz no solo primordial, no âmago da natureza fundamental da realidade.

 

O sincretismo entre Exu e o diabo realmente existe na Quimbanda, salvaguardando várias confusões; ao verificar que atualmente muitas pessoas pensam que a Quimbanda é um culto satanista, tendo aquele sentimento de dualidade aonde as pessoas vêem o bem e o mal em luta eterna - confundindo a infame figura do diabo - com tudo de ruim. Segundo conta a tradição oral, descrita inclusive em passagens bíblicas, o diabo foi vencido por Deus. É o Criador quem determina o espectro e a liberdade das ações de qualquer Orixá, isso desde o princípio dos tempos. O conceito de polaridades - positiva e negativa - não se encaixa, é peça do plano material. 'No início tudo eram trevas, Deus andou sobre as águas e disse: Faça-se a Luz'. Ele não criou uma corrente negativa e outra positiva antes de fazer a Luz brilhar, essa Luz que Deus criou é energia pura, energia espiritual pura.

Como disse o sábio preto velho Pai Maneco, falando da importância dos Exus, apontou uma lâmpada e disse: “Aquela é resultado do perfeito encontro entre o positivo e o negativo”. Subentende-se que a Luz é Exu, que Exu é a Quimbanda, a Quimbanda é a Luz que ilumina as trevas.

Exu de Quimbanda vem na mesma vibratória cósmica originaria do Orixá Exú, não como um Orixá menor da cultura Yorubá, más como o Exú de Quimbanda. Nos Terreiros seus médiuns, ao os incorporam durante o culto, conscientemente ou não, ficam sabendo que são almas, eguns, espíritos iguais ao seu ou meu espírito, almas de alguém que já andou entre nós, aqui mesmo no plano material, e agora trabalha como mensageiro dos Orixás. Também são conhecidos como Espíritos que trabalham na esquerda, espíritos que alcançaram a iluminação na Quimbanda e optaram por trabalhar nas linhas de Exu.

Isto também ocorre na Umbanda, nas linhas de cada Orixá, por exemplo como na linha de Ogum, onde trabalham Espíritos de índios e negros - escravos africanos trazidos ao Brasil nos tempos do império - que em vida foram guerreiros, usaram espada, e, de alguma forma, pertenceram a um culto afro descendente. Como sabemos, Seu Ogum Sete Espadas, ou também - por exemplo - seo Ogum Sete Ponteiras do Mar, não são o mesmo que o Orixá maior Ogum, entretanto compartilham de seu poder.

Os Espíritos, Exus, com os quais estamos tratando tiveram em sua maioria encarnações aqui na Terra, em finais do século XIX e princípios a meados do século XX, daí vêm as suas vestimentas e a forma de seu comportamento. São espíritos que vão desde pessoas do povo até aristocratas, cientistas e sacerdotes.

Ainda na questão do sincretismo creio ser importante frisar que os autores, que até hoje discorreram sobre o assunto, usaram um organograma básico. Através deste organograma nos é apresentada aquela que muitos pensam ser a verdadeira organização hierárquica da Quimbanda, mas isso varia de culto pra culto, de Terreiro pra Terreiro, de médium pra médium. A energia de Exu se mescla a da alma que trabalha em sua linha, e junta com a alma do aparelho mediúnico formam uma terceira energia. A parte informacional que acompanha o elemento etérico - informação nunca se perde - pode ser somente a cópia de um livro antigo, de evocação e cultos diabólicos da cultura ocidental que fala sobre os demônios, suas hierarquias e poderes. Os espíritos de Quimbanda trazem informação com  influencias que podem ser encontradas vária das páginas escritas nos antigos tratados der magia, buscando respostas no trabalho com os consulentes, encontrando soluções durante este amistoso processo de troca.

Considerando que considerável parte destes livros já existiam muito antes do descobrimento do Brasil, e levando em conta que a Quimbanda, como a conhecemos popularmente, é uma religião brasileira, afirmo que é errado basear-se nestes organogramas arcaicos. Entretanto como base, para estudarmos o assunto, não devemos esquecê-los e sim estudá-los, pois os Exus, como nós, tiveram já várias encarnações e com o mesmo objetivo - comum a todos - que é a evolução. Alguns destes nossos compadres, inclusive, tiveram encarnação nos primórdios da nossa civilização. Gosto de citar o como exemplo a história de Exu Tata Caveira, que foi um Sacerdote no Egito antigo; ou inda mais longe Exu Caveira, que há 30.000 anos atrás era um  bruxo e curandeiro nômade. Outrora, em algum momento da linha do tempo, estes Espíritos já trabalharam no plano astral, nesta mesma corrente astral de Quimbanda, e alguns até ajudaram a escrever os tratados da antiguidade.

Exu, quando presta caridade também evolui. Quando incorporam e dão consultas, realizam trabalhos, além de estarem nos ajudando, os estamos ajudando também, a atingirem um grau maior de evolução. Pode-se dizer que eles aprendem conosco ao mesmo tempo que aprendemos com eles. Sobem ao passo que subimos. Evoluem de acordo com nossa evolução.

Umbanda não existe sem Quimbanda, como a árvore não vive sem a copa ou sem a raiz, sem Exu não se faz nada. Com base prática, em estudos de Quimbanda, podemos afirmar que o culto como o conhecemos é o mesmo. Encontramos suas características básicas na maior parte dos Terreiros de Umbanda do Brasil. Os centros de Umbanda fazem seus trabalhos na Quimbanda para manter a ordem natural das coisas, o equilíbrio nos trabalhos, para isto cultua-se as Sete Linhas da Umbanda e as Sete Linhas da Quimbanda.

Feita esta consideração preliminar, tenho fé, que de uma forma mais ampla, e, que leve a implementar os atuais conhecimentos sobre os Exus; Quimbanda não é sinônimo de satanismo, e de forma alguma - que seja desvencilhada de preconceitos - pode ser ligada a obscuridade. Trevas é apenas um termo usado no Espiritismo. Raízes nunca vêem a luz do Sol, mas produzem a seiva que sobre pelo caule para alimentar a copa e manter a árvore viva. A copa produz os frutos e as sementes, que caem e apodrecem para poder formar novas árvores, fincando antes sua raiz no solo. 

Ser de Quimbanda é uma forma de estar na vanguarda do Espiritismo, trabalhando a espiritualidade e a magia como um todo. Mais do que uma corrente a Quimbanda é uma ferramenta que produz correntes, destinada à evolução espiritual. Sua magia se faz através do poder e dos conselhos destes nossos guias protetores, os Exus, que tanto nos auxiliam nas horas de aflição.

Prática do mal ou do bem

Embora não devamos julgar sabemos sim que lamentavelmente existem pessoas inescrupulosas e de má índole, agindo de má fé, que usam a o sagrado nome da Quimbanda para a prática do mal. Esta deturpação, este distúrbio na força, é derivado exclusivamente do homem, da mulher, de desejos e pensamentos gananciosos, perversos, ignorantes e mesquinhos. O mal não parte das entidades que estão ali para trabalhar, para ajudar, para o 'bem', em cumprimento da vontade e da Lei Divina.

É, no mínimo equivocado, culpar o veneno por matar, quando sim, quem mata é aquele que o utiliza como arma. Culpar Exu por fazer o que lhe é pedido e culpar a natureza, atribuir o dano a quem se aproveita da energia impregnada por este contato espiritual, e da magia, para pedir praticar mal, não quer dizer que seja Exu que faz este mal. O mal é o que sai da boca do homem e da mulher, não o que sai da boca dos espíritos de Quimbanda. Nunca podemos esquecer a imutável Lei do Retorno: tudo o que você fizer irá voltar pra você. Tudo o que está em cima é o que está embaixo, tudo que sobre, um dia desce.

Não existe bem e mal, existe sim o que é ético e o que não é ético. Ética é o que aquele ou aquela pessoa é consigo mesma, seja na presença de outrem ou a sós consigo próprios. A ética não admite coerção, não é flexível, é rígida como o cajado, o ponteiro, ou o tridente de Exu. Ou se é ético(a), ou se tem ética, ou não. Tudo que não é ético é vício.

Macumba

Existe muita confusão a respeito do termo Macumba e acho importante esclarecer isto, este nome deriva do Banto “ma-quiumba” que quer dizer espíritos da noite, também este nome era usado no sul do país para definir mulheres negras no tempo da escravidão, por isso o uso do nome ainda hoje é usado de forma preconceituosa por pessoas ignorantes a respeito do assunto.

A Macumba pelo que sabemos é o mais primitivo culto sincretista do Brasil, tendo sua origem no Sul, dada a maior predominância da nação Banto na Região. É da nação  Banto que descende a maior parte dos cultos afro-brasileiros, com fortes influências na Igreja Católica, mesclados com elementos indígenas e das nações da Guiné, Congo, Angola e Nagô.

A principal razão do culto ser denominado como Macumba foi justamente por motivo de os rituais serem realizados durante a noite, principalmente em razão dos trabalhos serem feitos com Eguns, e, também, porque durante o dia os negros trabalhavam sem descanso. Em parte, é esta a origem da infeliz interpretação, do ritual, pelos leigos.

Os negros que praticavam a Maquiumba ou, como ficou conhecida, Macumba, eram, em razão de sua fé, geralmente menosprezados, perjurados e mal interpretados pelos burgueses que os escravizavam. A Igreja também condenava estes cultos, com influências indígenas ou africanas, eram 'coisa do diabo', dizendo que praticavam beberagens e até orgias. Sim, é verdade que as entidades bebem e pitam (fumam) e que as curimbas, danças, as vezes são bastante sensuais, mas venhamos e convenhamos que entre dança sensual e orgia, ou entre tomar uns tragos e a beberagem, há uma grande distância.

Quando os grupos de nações começaram a procurar valorizar mais a sua natureza e identidade cultural é que a Macumba se dividiu; surgiu então o Candomblé de Angola, o Candomblé do Congo, o Candomblé de Caboclo - ou dos Encantados - e o Catimbó. No final do século XIX surgiu a Macumba Urbana, que tinha participação de brancos pobres e descendentes de escravos. Mais recentemente, no inicio do século XX, surgiram a Umbanda e a Quimbanda, então com uma forte influência do Espiritismo, agregado ao sincretismo religioso.

Conclusão

A formação da Quimbanda teve uma forte influência dos escravos e índios, que sincretizaram Exu com o Diabo, por este ser “inimigo dos brancos”, dos burgueses; e por não aceitarem os Santos Católicos, identificando-se assim mais uma vez com o Diabo. Com o advento da Umbanda começou o trabalho de Quimbanda em Terreiros de Umbanda o que deu sustentação firme aos trabalhos, formou o equilíbrio, assim então tomou forma e conteúdo o atual culto da Quimbanda.

 

Na verdade pode-se dizer que a Quimbanda, como a conhecemos atualmente, nasceu juntamente com a Umbanda em 15 de novembro de 1908. Uma Linha completa o outra formando esta força que nos da vida e este reino cheio de Luz, sendo que para haver luz precisamos de um pólo positivo e outro negativo.

 

A Quimbanda esta organizada hierarquicamente em sete grandes reinos, as Sete Linhas da Quimbanda, sendo que na Quimbanda também é Oxalá quem manda, o Sr. Omolu é o Rei - coroado por Oxalá - é seu Omolú quem delega os poderes aos Exus Chefes de Falange. É bastante diversa a compreensão das 7 Linhas da Quimbanda - não há uma decodificação definitiva da Quimbanda - bem como concordância comum, entre os terreiros, de seus respectivos chefes, entretanto, no meu entendimento, através da prática, considero em meus trabalhos os seguintes Exus Guardiões como principais nas seguintes linhas:

1.    Linha das Encruzilhadas: Exu Tiriri

2.    Linha dos Cruzeiros: Exu Meia Noite

3.    Linha das Matas: Exu Arranca Toco

4.    Linha da Calunga Pequena (cemitérios): Exu Caveira N

5.    Linha das Almas: Exu Tranca Ruas das Almas

6.    Linha da Lira: Exu Sete Liras

        7.   Linha da Calunga Grande (praia): Exu do Lodo

 

Quando Exu, qualquer um Deles, estiver incorporado no Pai de Santo, no dirigente dos trabalhos, Ele esta trabalhando com a Coroa. Por este motivo, independente da hierarquia proposta acima ou de outro entendimento que se faça, Exu que trabalha com a coroa é o Chefe da Gira de Quimbanda, tendo liberdade de movimento entre os Reinos, através do contato com os outros Exus presentes no trabalho. Exu e Pomba-gira não competem uns com os outros, colaboram, compartilham, trabalham em grupo.

 

 

Trabalhar com os, "compadres", Exus requer muito respeito e consideração por parte dos dirigentes, médiuns e consulentes pois são Entidades muito poderosas, de muito Axé.

VN Laroiê Exu, Emojibá! NV


VOCÊ TAMBÉM PODE CURTIR: Laroiê Exu Caveira! & Laroiê Pomba-gira!
 
 
 

Dança das Cabaças - Exu no Brasil

 

Trazido pelos escravos com outros Deuses do panteão Yoruba, Exu foi colocado à margem e passou por um processo de demonização que se inicia na missão católica na África e se estende no período colonial brasileiro, onde seus atributos originais foram ocultados.

 
Exu que na África era caracterizado como o princípio da vida, a força que move os corpos, a dinâmica, o senhor dos caminhos e das encruzilhadas, a principal ponte entre os mortais e as divindades que habitam o além, passa a ser visto como a personificação do mal perante o modelo cristão, devido ao seu seu símbolo fálico e seu comportamento astucioso.


Dirigido por Kiko Dinucci, o filme - que pode ser visto no quadro abaixo - passa pelas diversas vertentes das religiões afro-descendentes, dos candomblés (de tradição Nagô, Gege, Bantu), Tambor de Mina, passando pela Umbanda e Quimbanda. Dança das Cabaças-Exu no Brasil conta com participações de Sacerdotes e estudiosos.

 
 
Completando o entendimento sobre Exu e a Quimbanda, acredito ser assaz o conhecimento dos textos a seguir; 'Exu mensageiro dos Orixás', transcrito do livro 'Os Orixás', publicado pela Editora Três, e 'Exu, o princípio do movimento', excelentes referências bibliogáficas...
 

Exu mensageiro dos Orixás

do livro 'Os Orixás', Editora Três

 

"Exu é a figura mais controvertida dos cultos afro-brasileiros e também a mais conhecida. Há, antes de mais nada, a discussão se Exu é um Orixá ou apenas uma Entidade diferente, que ficaria entre a classificação de Orixá e Ser Humano. Sem dúvida, ele trafega tanto pelo mundo material (ayé), onde habitam os seres humanos e todas as figuras vivas que conhecemos, como pela região do sobrenatural (orum), onde trafegam Orixás, Entidades afins e as Almas dos mortos (eguns).


Esse Orixá (ou Entidade) não deve ser confundido com os eguns , apesar de transitar na mesma Linha das Almas (uma das três linhas independentes) sendo o seu dia a segunda-feira; ficando sob o seu controle e comando, os Kiumbas (espíritos atrasadíssimos na evolução). Exu é figura de status entre os Orixás, que apesar de ser subordinado ao poder deles, constitui uma figura tão poderosa que freqüentemente desafia as próprias divindades. Sua função e condição de figura-limite entre o astral e a matéria, se revelam em suas cores, o negro e o vermelho, sendo esta última a vibração de menor freqüência no espectro do olho humano, abaixo do qual tudo é negro, há ausência de luz.


Seus aspectos contraditórios também podem ser analisados sob outro ponto de vista: o negro significa em quase todas as teologias o desconhecido; o vermelho é a cor mais quente, a forte iluminação em oposição à escuridão do negro. Até em suas cores, Exu é o símbolo das grandes contradições, do amplo terreno de atuação.


Os Exus são considerados entidades poderosas, mas nem sempre conscientes dessa força, desconhecendo seus limites e suas conseqüências ao envolver os seres humanos vivos. Assim ao utilizar-se de suas vibrações, um iniciado precisa tomar cuidado para não permitir que Exu, mesmo com o propósito de ajudá-lo, provoque um descontrole energético que possa ser prejudicial ao ser humano.


Sua função mítica é a de mensageiro - é o que leva os pedidos e oferendas do homens aos Orixás, já que o único contato direto entre essas diferentes categorias só acontece no momento da incorporação, quando o corpo do ser humano é tomado pela energia e pela consciência do seu Orixá pessoal (quando a consciência de quem carrega o Orixá desaparece). É Exu quem traduz as linguagens humanas para a das divindades. Por isso, é imprescindível para a realização de qualquer ritual, porque é o único que efetivamente assegura em uma dimensão (ayé ou orum) o que está acontecendo na outra, abrindo os caminhos para os Orixás se aproximarem dos locais onde estão sendo cultuados.


O poder de comunicar e ligar, confere à ele também o oposto; a possibilidade de desligar e comprometer qualquer comunicação. Se possibilita a construção, também permite a destruição. Esse poder foi traduzido mitologicamente no fato de Exu habitar as encruzilhadas, passagens, os diferentes e vários cruzamentos entre caminhos e rotas, e ser o senhor das porteiras, portas entradas e saídas. Isso não entra em contradição com o fato de Ogum, o Orixá da guerra, ser considerado o senhor dos caminhos. Além da grande afinidade entre as duas figuras míticas (que são irmãos, de acordo com as lendas), Ogum é responsável pelo desbravamento, pelo desmatar e o criar de novos caminhos, pela expansão do reino, enquanto Exu é o senhor da força que percorre esses caminhos.


Como, então, essa imagem de menino brincalhão, mesmo que imprudente, se coaduna com a imagem popular que associa Exu ao Diabo? Mesmo em cultos de Umbanda (alguns) Exu é freqüentemente considerado um representante do mal, das forças perigosas e não totalmente recomendáveis.

Qual a visão está correta?

A rigor, ambas ou nenhuma delas. Exu realmente brinca e se diverte, possibilitando brincadeiras e prazeres aos seres humanos. Também mexe com forças terríveis, provoca acontecimentos dramáticos, causando o mal.


Em termos históricos, as culturas africanas que cultuam os Orixás - muito diversificadas, conseqüência evidente de uma sociedade dividida em raças, tribos, muito pouco centralizada para os parâmetros ocidentais - são muito mais antigas que as que conhecemos. Há lendas de Orixás que se explicam como respostas socialmente criativas a acontecimentos perdidos num longínquo passado, como a substituição do matriarcado pelo patriarcado, o surgimento do primeiro conceito de sociedade agrária, em oposição a uma cultura nômade e caçadora.


Assim, como encontrar uma figura que representa o mal numa cultura onde não existe a dicotomia bem-mal? A moralidade ou imoralidade portanto, não está nas figuras dos Orixás, nem principalmente em Exu, mas sim nas interpretações que nós, ocidentais, fazemos a respeito de seus desígnios.


Para a cultura africana, politeísta, onde os deuses brigam entre si, cada um tomando atitudes radicalmente opostas às dos outros, não existe um certo e um errado, mas vários. Cada ser humano é filho de dois Orixás e, para ele, suas atitudes serão as mais corretas, enquanto um filho de outro Orixá deverá manter postura diferente, mas adaptada ao arquétipo de comportamento associado ao seu próprio Orixá.


Outra razão de confusão vem do fato de os negros terem chegado ao Brasil na condição de escravos, tratados como subumanos e sem os mínimos direitos.


Nenhuma hipótese havia, portanto, para que Exu e outras figuras míticas do Candomblé e da Umbanda, fossem aceitas como independentes: os negros tinham de ser convertidos ao Deus Único , aos mitos cristãos.


Uma divindade africana ao ser capturada pelas explicações católicas, teria no máximo o status de santo, divindade menor, praticamente humana, na teologia cristã.


Como precisavam de um Diabo, os jesuítas encontraram na figura de Exu, o Orixá que poderia, meio forçadamente, vestir a sua roupa, provavelmente porque sendo o mais humano dos Orixás, à ele se pede interferência nas questões mais mundanas e práticas, o que resulta que a maior parte das oferendas do culto vá, para ele.


Exatamente por isso, Exu era a divindade que protegia, na medida do possível, os negros dos repressivos senhores. Era para Exu que pediam desgraças para seus senhores.


Dois outros fatores associam Exu ao Demônio; o fogo - elemento do Diabo e também freqüente nos cultos e oferendas para o mensageiro dos Orixás africanos - e o sexo, território considerado tabu pelos católicos, e o prazer - em geral, as atividades favoritas de Exu. A sensualidade desenfreada costuma ser atribuída à influência de Exu, que significa a paixão pelo gozo, sendo freqüentemente representado em estatuetas, como figura humana sorridente, debochada.


Para completar os tabus que marcavam Exu como uma figura que subvertia o conceito de faça o bem e será recompensado, faça o mal e será punido - já que ele podia fazer qualquer coisa e alterar qualquer resultado - mas um fator fez com que fosse não só usado como o Diabo mas reconhecido como sua própria encarnação por parte dos jesuítas: Exu gosta de sangue.


É costume que, em oferendas, o sangue de animais seja o último ingrediente.


Como, porém, essa base filosófica africana foi esquecida na prática pelos brasileiros, existe certo temor e preconceito com relação a Exu. Isso se revela no temor que os babalorixás (sacerdotes que dirigem a Umbanda ou um Candomblé) têm em identificar alguém como filho de Exu, ou seja, como pessoas cuja energia básica é a mesma do mensageiro dos deuses. Reforçam-se assim, os mitos de desgraça que ronda a figura de Exu.


A Pomba-gira, figura comum nos cultos de Umbanda e presente em diversos Candomblés, dada a grande intercomunicação entre as duas vertentes, não passa, de um Exu Feminino, onde estão em destaque o senso de humor debochado, a voluptuosidade e sensibilidade desenfreada, usando cabelos soltos, saias rodadas e vaidosas flores na cabeça. Sua dança é uma gira frenética, desenfreada, violenta até, com quase nenhum controle - sem compostura , de acordo com a visão ocidental.


Características dos 'filhos' de Exu


São muitas as pessoas que têm Exu, como fonte energética principal, mas são poucas as que o sabem. É comum um certo temor do pai-de-santo em comunicar ao iniciado que é um filho de Exu (englobado na Linha das Almas ), após a confirmação do jogo de búzios. Acontece que os mitos ocidentais e orientais de perigo e desgraça que andam junto de Exu, fazem com que a pessoa que está sob a égide desse Orixá seja considerada uma perseguida da sorte, marcada pelo destino, e são comumente apontados como sofredores, como se ligados ao mal ou ao padecimento.


O arquétipo psicológico associado aos filhos de um Orixá é a síntese das características comportamentais que fazem parte de cada Orixá e que são atribuídas aos seus filhos. Não deve ser encarado como camisa de força que limite os seres humanos, mas guias de comportamento. Essas guias de comportamento ou matrizes , são os Orixás.


No caso dos filhos de Exu, suas características principais seriam a ambivalência e o relativismo, a falta de posturas morais rígidas e inabaláveis, preferindo certo apego à maleabilidade e ao pragmatismo que faz cada situação ser encarada como totalmente independente de outra, cada uma, portanto, merecendo uma saída diferente"

 

Exu, o princípio do movimento

do blog 'Exubandeiro', de Rafael Silveira

 
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VOCÊ TAMBÉM PODE CURTIR: O Mito da Criação na Quimbanda & Quem é Pomba Gira
 
 

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